Mais enxuta, a nova DPZ aumenta a receita em 48%

8 de abril de 2024 às 16:23


Por Claudia Penteado

A nova DPZ, diz o CEO Benjamin Yung, é uma empresa de estrutura e gestão mais
enxutas. Dá passos cautelosos, mas com espírito de startup

Benjamin Yung: “A publicidade é o lugar em que a arte encontra as fi nanças” — Foto: Divulgação

Quando chegou à DPZ, há cerca de dois anos e meio, Benjamin Yung tinha comodesafio ajudar a reposicionar uma empresa que havia perdido seus três maioresclientes – Itaú, McDonald’s e Natura.

A agência também retomava sua icônica marca de 3 letras – dos fundadores RobertoDuailibi, Francesc Petit e José Zaragoza – deixando para trás o “T” que a acompanhoudurante sete anos, fruto da fusão com a Taterka, promovida pelo grupo Publicis.

Em agosto de 2021, o então CEO da DPZ&T, Eduardo Simon (que tinha vindo daTaterka), e outros executivos decidiram sair da agência para fundar a Galeria,levando os 3 maiores clientes.

Yung assumiu o comando ao lado de Fernando Diniz. O “T” saiu da marca um anodepois, em julho de 2022. E Diniz saiu da DPZ há quatro meses para o cargo de CEOda Leo Burnett, que também pertence ao grupo Publicis.

A nova DPZ, explica Yung, é uma empresa de estrutura e gestão mais enxutas. Dápassos cautelosos, mas com espírito de startup, trabalhando com muitos dados paraadministrar sua estrutura e os negócios dos clientes.

No ano passado a receita cresceu 48%, com a conquista de novos clientes – aSeguros Unimed e a operação brasileira da plataforma de jogos on-line Sportingbet -e mais investimentos dos clientes que já faziam parte da carteira como Electrolux e Ypê.

Para 2024, o executivo prevê repetir uma taxa de crescimento de dois dígitos. “A DPZtem um lugar emblemático no nosso mercado e precisa ocupá-lo de fato. Essa é aminha meta”, diz Yung, que é conhecido no mercado como BJ.

Yung, antes de assumir a DPZ, ficou por mais de seis anos na agência Suno, tendopassado também por AlmapBBDO, FCB e DM9DDB, sempre na área de criação. Elecursou Administração na Fundação Getulio Vargas (FGV), estudou fotografia naPanamericana e tem um MBA pela Berlin School of Creative Leadership. Costumadizer que “a publicidade é o lugar em que a arte encontra as finanças”.

A seguir os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: O que o motivou a aceitar o comando da DPZ?

Benjamin Yung: O grupo Publicis me colocou que havia uma oportunidade de“recomeçar” a DPZ do zero, dentro do que fazia mais sentido tanto para a marcaquanto para o portfólio de empresas do Grupo Publicis no Brasil. A DPZ tinha setornado uma grande agência, de grandes clientes, grandes anunciantes, grandesverbas, competindo com outras grandes agências que o grupo tinha. E o grupoestava carente de ter uma agência que fosse, de fato, criativa. Por isso procuraramum CEO criativo de origem e que entendesse de negócio. Minha história caía comouma luva, com a experiência de ter participado de uma startup muito bem sucedida[Suno United Creators], que começou com 12 pessoas em uma salinha, e em quatroanos tinha mais de 500 funcionários e clientes como Santander, iFood, Heineken,Yamaha. Isso me capacitou para entrar na empresa, avaliar o que se podiaaproveitar, o que era passado, o que só funciona dentro de uma grande estrutura.Quando se trabalha com grandes clientes e grandes verbas, há uma margem demanobra muito maior do que quando se está em uma startup, e há necessidade deter um ‘mind set’ [mentalidade] específico para construir, ou melhor, neste caso,reconstruir algo.


Valor: E como foi esse processo?

Yung: Eu queria usar todo o valor dessa “love brand” [marca querida pelas pessoas],mas com mentalidade de startup. A transformação demorou um pouco mais do queeu planejava, porque encontrei uma agência que estava acostumada a sergigantesca. As agências falam muito sobre dados, mas aplicam pouco isso na gestãode seus próprios negócios. Nós investimos no desenvolvimento de uma ferramentachamada “Power BI”, que relata todos os dados da operação. Passamos a medir emtempo real o desempenho das equipes, garantindo maior previsibilidade de recursosversus demanda. Cuidamos de nossas equipes e asseguramos uma entrega melhor,mais rápida e mais suave para uma operação mais rentável e sustentável. A era doachismo acabou. O achismo leva muitas agências a montar operações de acordocom uma estimativa de demanda e só renegociar o contrato um ano depois,valendo-se de outros clientes para tapar eventuais buracos na operação. A gente nãotinha esse “luxo”. Consegui sentar com os clientes e falar o que cada contademandava de fato. Criamos um sistema de “reconversa” trimestral de contratos, em que avaliamos o cliente, e ele nos avalia. É um pensamento “always beta”[sempre testando], e ficar corrigindo. Não é um pensamento de grandes agências.Assim, fomos crescendo e os clientes começaram a ver valor no que estávamos trazendo.


Valor: E em que modelo de remuneração se basearam?

Yung: Nossa crença no sucesso, que tem a ver com a história da própria DPZ, melevou a implementar – e não são todos os clientes que estão abertos a isso – um“success fee” [taxa de sucesso]. Porque eu acredito muito no meu trabalho, eacredito que a agência deve ganhar quando o cliente ganha. Não quando o cliente“gasta”, calcado puramente no quanto está investindo, especialmente se você pensarpela lógica do mercado financeiro. Trouxemos para dentro da operação essa quebrade paradigma e acredito que nos levou a crescer muito nesse último ano. Porqueconseguimos mostrar, na ponta do lápis, o valor que aportávamos. O valor quetemos.

Valor: Como mostrar esse valor?

Yung: Hoje há muito mais dados. Nos anos 90, sucesso era ver a propaganda sendodiscutida em mesa de bar. Hoje a mesa do bar são as redes sociais. Tudo éplenamente mensurável, e provamos nosso valor através dos KPI’s [indicadores dedesempenho] que a gente estabelece com cada cliente. No caso de Seguros Unimed,era o crescimento do reconhecimento de marca. No caso da Electrolux, ela se tornoua marca de eletrodomésticos mais vendida do Brasil, e há três anos era praticamentedesconhecida. É um grande “case” sobre o que acreditamos que a criatividade podefazer.

Valor: Como ser uma agência enxuta e atender grandes clientes?

Yung: Hoje em dia muitas agências se dizem “full service”, [serviço completo], masno fundo são “full generalists” [generalistas em tudo], né? Um monte de generalistasfazendo de tudo. O princípio do “Power of One”, que o grupo Publicis vemimplementando mundo afora, é o que tem levado suas ações a estarem supervalorizadas [em 2023 o Publicis Groupe tornou-se a segunda maior holding global decomunicação, depois do WPP, destronando o posto ocupado por décadas peloOmnicom Group]. É o princípio de criar empresas realmente especialistas trabalhando de maneira integrada e customizada para cada necessidade, de cadacliente. Isso me permitiu ter uma operação muito mais enxuta, onde eu “plugo” osespecialistas, com uma entrega muito mais profunda e robusta. Foi dentro dessemodelo que trouxemos a Sportingbet: toda a concorrência foi feita unindo as forçasda Sapient, da Performics e da DPZ, com ferramentas de inteligência de mídia e aPrediction (empresa de predição de resultado e investimentos). São os especialistas contra os generalistas. Recentemente, criamos um hub com a Performics para olharpara toda a mídia da Eletrolux na América Latina, inclusive estratégia de comércioon-line e de venda direta ao consumidor. Algo que eu sozinho, como DPZ, não faria.Eu teria que ter uma agência enorme, inflada de pessoas.

Fonte: Valor Econômico

STF: Moraes determina abertura de inquérito para apurar conduta de Elon Musk

às 16:15


Por Isadora Peron

Elon Musk — Foto: Jordan Vonderhaar/Bloomberg

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou aabertura de inquérito para apurar a conduta do empresário Elon Musk, dono daplataforma X (antigo Twitter). A decisão foi proferida neste domingo, após o bilionário ameaçar desrespeitar decisões judiciais que determinavam remoção deconteúdo e bloqueio de contas da plataforma.


Moraes ordenou ainda que Musk passe a ser investigado no inquérito das “milíciasdigitais” e que a rede social se abstenha de desobedecer qualquer ordem judicial jáemanada pelo STF ou pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob pena de multa diáriade R$ 100 mil e responsabilidade por desobediência à ordem judicial dosresponsáveis legais pela empresa no Brasil.

O ministro do STF determinou que Musk seja investigado em relação aos crimes deobstrução à Justiça, inclusive em organização e incitação ao crime. No caso dainclusão no inquérito já existente, ele afirmou que a conduta do empresário poderepresentar “dolosa instrumentalização criminosa” da plataforma.

Na sua decisão, o ministro ligou a plataforma aos atos golpistas de 8 de janeiro de2023. “Ressalto, ainda, ser inaceitável, que qualquer dos representantes dosprovedores de redes sociais e de serviços de mensageria privada, em especial o ex-Twitter atual ‘X’, desconheçam a instrumentalização criminosa que vem sendorealizada pelas denominadas milícias digitais, na divulgação, propagação,organização e ampliação de inúmeras práticas ilícitas nas redes sociais,especialmente no gravíssimo atentado ao Estado Democrático de Direito e natentativa de destruição do Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Paláciodo Planalto, ou seja, do própria República brasileira”, disse.


Segundo ele, após a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023, “de maneiraabsolutamente pública e transparente”, foi discutida em reunião no TSE, comrepresentantes de todas as plataformas, “o real perigo dessa instrumentalizaçãocriminosa” dos provedores de redes sociais e de serviços de mensagem, assim comoa necessidade da constituição de um grupo de trabalho para a apresentação depropostas de autorregulação e regulamentação das redes sociais.


Para Moraes, Musk, neste fim de semana, “iniciou uma campanha dedesinformação” sobre a atuação do Supremo e do TSE, o que caracterizaria o elo daplataforma com as atitudes golpistas.“


Na presente hipótese, portanto, está caracterizada a utilização de mecanismosilegais por parte do ‘X’; bem como a presença de fortes indícios de dolo do CEO darede social ‘X’, Elon Musk, na instrumentalização criminosa anteriormente apontadae investigada em diversos inquéritos”, afirmou.


No sábado, Musk fez ataques diretos a Moraes. Como presidente do TribunalSuperior Eleitoral (TSE), o ministro foi o responsável por endurecer as regras contraas plataformas, para evitar a disseminação de “fake news” durante as eleições. Obilionário começou o dia respondendo a um post de janeiro do ministroperguntando o “porquê de tanta censura”.

Durante a tarde, o empresário continuou publicando mensagens que sugeriam quea liberdade de expressão estava ameaçada no Brasil.

“Estamos suspendendo todas as restrições. O juiz aplicou multas pesadas, ameaçouprender nossos funcionários e bloquear o acesso ao X no Brasil. Como resultado,provavelmente perderemos toda a receita no Brasil e teremos que fechar nossoescritório lá. Mas os princípios são mais importantes do que o lucro”, disse no X.

Neste domingo (7), ele voltou a mencionar Moraes, prometendo publicar “tudo” oque o ministro exige e mostrando como, supostamente, as demandas violam alegislação brasileira. “Ele deveria renunciar ou sofrer impeachment”, provocou. Oministro do STF não se pronunciou a respeito até o momento.

As postagens de Musk foram celebradas por usuários e até parlamentares alinhadosà direita, como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Carla Zambelli (PL-SP) eEduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Fonte: Valor Econômico

Elon Musk incentiva uso de VPN para acessar X caso Alexandre de Moraes bloqueie rede social no Brasil

às 16:06


Por Juliana Steil,

Ferramenta permite a usuário “enganar” computador com outra localização geográfica, onde a rede social não corre riscos de ser bloqueada

Elon Musk, dono do X (ex-Twitter) — Foto: Bloomberg

Elon Musk, dono da plataforma X (ex-Twitter), está incentivando o uso de VPN paraacessar a rede social caso o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandrede Moraes, bloqueie o funcionamento da plataforma no Brasil.

Na publicação, Musk responde a um usuário que diz: “Amigos no Brasil, obtenhamuma VPN”, em resposta a um terceiro usuários, que publicou sobre o embate entre o bilionário e o ministro brasileiro.

Musk respondeu: “Para garantir que você ainda possa acessar a plataforma X , baixeum aplicativo de rede privada virtual (VPN)”

O que é VPN?


VPN, sigla para “Virtual Private Network” (Rede Privada Virtual, em português), é umaconexão de rede protegida, que criptografa o tráfego do usuário da Internet edisfarça sua identidade online, ocultando seu endereço IP.

Isso faz com que seja mais difícil rastrear a localização geográfica do usuário, porexemplo.

Musk x Moraes


Musk fez a sugestão de uso de VPN horas depois de Alexandre de Moraesdeterminar a abertura de inquérito para apurar sua conduta, devido às ameaças porparte de Musk sobre desrespeitar determinações judiciais para a remoção deconteúdo e bloqueio de contas da plataforma.

Moraes ordenou ainda que Musk passe a ser investigado no inquérito das milíciasdigitais e que a rede social se abstenha de desobedecer qualquer ordem judicial jáemanada pelo STF ou pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob pena de multa diáriade R$ 100 mil e responsabilidade por desobediência à ordem judicial dosresponsáveis legais pela empresa no Brasil.


Musk será investigado em relação aos crimes de obstrução à Justiça, inclusive emorganização e incitação ao crime. No caso da inclusão no inquérito já existente, eleafirmou que a conduta do empresário pode representar “dolosa instrumentalizaçãocriminosa” da plataforma.


Na sua decisão, o ministro ligou a plataforma aos atos golpistas de 8 de janeiro de2023. “Ressalto, ainda, ser inaceitável, que qualquer dos representantes dosprovedores de redes sociais e de serviços de mensageria privada, em especial o ex-Twitter atual ‘X’, desconheçam a instrumentalização criminosa que vem sendorealizada pelas denominadas milícias digitais, na divulgação, propagação,organização e ampliação de inúmeras práticas ilícitas nas redes sociais,especialmente no gravíssimo atentado ao Estado Democrático de Direito e na tentativa de destruição do Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Paláciodo Planalto, ou seja, do própria República brasileira”, disse.

Segundo ele, após a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023, “de maneiraabsolutamente pública e transparente”, foi discutida em reunião no TSE, comrepresentantes de todas as plataformas, “o real perigo dessa instrumentalizaçãocriminosa” dos provedores de redes sociais e de serviços de mensagem.

Para Moraes, Musk, neste fim de semana, “iniciou uma campanha dedesinformação” sobre a atuação do Supremo e do TSE, o que caracterizaria o elo daplataforma com as atitudes golpistas.

Fonte: Valor Econômico

Governo estuda quatro formas de taxação de ‘big techs’; projeto deve ir ao Congresso ainda este ano

às 15:57


Por Agência Globo — Brasília e Rio

Secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse em entrevista que medida é urgente

O governo quer tributar as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, em projeto a ser enviado ainda este ano, e discute, internamente, quatro formas detaxação: o pagamento pelo uso de rede de telefonia (fair share); a criação de umacontribuição para o jornalismo; a cobrança de uma taxa de vídeo “on demand”; e aaplicação de um imposto de 15% sobre a renda junto com a regulamentação dareforma tributária.

A informação foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo e confirmada pelo Globo por integrantes do Ministério da Fazenda e do Palácio do Planalto. Uma daspropostas em estudo é a instituição de uma espécie de Cide para o jornalismo. Aideia seria cobrar uma taxa das big techs para financiar empresas de notícias, devidoà degradação do ecossistema de informação causada pelas gigantes da tecnologia.

Não se sabe ainda se a medida beneficiaria pequenas firmas de comunicação ou segrandes também. Um interlocutor do governo disse que este é um dos cernes dodebate. Em entrevista ao jornal paulista, o secretário da Receita Federal, RobinsonBarreirinhas, disse que a taxação é urgente.

“Não é uma discussão se a gente quer ou não quer fazer. Temos de entrar nessa. Senão cobrarmos aqui o mínimo em relação ao resultado delas [big techs], a diferençavai ser cobrada no exterior”, afirmou Barreirinhas.

Pela legislação em vigor, quando um imposto é criado, só entra em vigor no anoseguinte. Ou seja, a tributação sobre a renda para essas empresas só seria possívelem 2025 se aprovada em 2024.

Conforme mostrou o Valor em janeiro, o imposto sobre o lucro, se aprovado,funcionará nas bases propostas pela Organização para a Cooperação e oDesenvolvimento Econômico (OCDE). Ou seja, deverá ser aplicado a qualquermultinacional com receita anual superior a € 750 milhões que tenha sede ou filialinstalada no Brasil.

A empresa terá de recolher o imposto mínimo global no Brasil caso sua alíquotaefetiva de tributos pagos no país fique abaixo fique abaixo de 15%. Em geral, aalíquota dos impostos sobre o lucro é de 34%, mas parte das empresas tembenefícios fiscais ou deduções da base de cálculo, por isso a alíquota efetiva paga ébem menor.

O imposto mínimo global foi negociado por 140 países sob a coordenação da OCDE,com o objetivo de permitir a realocação dos lucros das grandes multinacionais parapaíses do mundo todo. Pelo menos 55 países já adotam a medida, incluindo os dasUnião Europeia. A Receita Federal vem trabalhado na proposta desde o anopassado, com o apoio da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária. O valor esperado de arrecadação com a medida é guardado a sete chaves.

A tributação faz parte da agenda que a Fazenda chama de “justiça tributária” ou”correção de distorções tributárias”. Essa agenda começou com a tributação defundos fechados exclusivos e restritos e já passou por mudanças nas regras dos títulos com isenção de IR e pelo estabelecimento de limites aos fundos deprevidência exclusivos familiares.

Como o Globo publicou em fevereiro, com base em uma nota divulgada pelo própriogoverno, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, afirmou que, no próximomês de junho, o Executivo enviará ao Congresso um projeto de lei para taxar as “bigtechs”. Entre os objetivos, um deles é financiar a inclusão digital no Brasil.

“Vamos trabalhar para encaminhar o projeto para o Congresso até o fim do primeirosemestre. É o momento de as gigantes da tecnologia serem chamadas a contribuirde forma mais efetiva com a ampliação da conectividade”, disse ele, em evento emBarcelona. (com informações de Jéssica Sant’Ana, do Valor, de Brasília)

Secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas — Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Fonte: Valor Econômico

Qual o papel do erro para as lideranças?

5 de abril de 2024 às 10:58


Claudia Muchaluat, presidente da Intel Brasil, e Claudia Woods, CEO Latam da WeWork, debatem como a abertura para a vulnerabilidade pode transformar as relações e negócios

Tradicionalmente, no universo corporativo, o ideal de liderança foi construído como um sinônimo de ausência de erros. No entanto, com um cenário cada vez mais complexo, a digitalização e uma série de mudanças culturais e comportamentais, a discussão sobre o erro e a vulnerabilidade ganha urgência.

Claudia Muchaluat, presidente da Intel Brasil, e Claudia Woods, CEO Latam da WeWork (Crédito: Eduardo Lopes/ Imagem Paulista)

Esse foi o ponto de partida do debate entre Claudia Muchaluat, presidente da Intel Brasil, e Claudia Woods, CEO Latam da WeWork, com moderação de Maria Laura Nicotero, presidente da Momentum e COO da plataforma Women To Watch, durante o W2W Summit.

“Antes de chegarmos à liderança de uma equipe, nós erramos muito”, refletiu a CEO da Momentum. Vinda de uma formação em tecnologia, a presidente da Intel, conta que o caminho para ressignificar os erros não foi fácil ou intuitivo. “Eu criei essa ponte de me libertar e entender que o erro não é um fracasso. É um aprendizado muito potente”, reconhece Muchaluat.

Para a executiva, esse processo também permitiu que ela se aproximasse de seus colaboradores e notasse um recorte de gênero, em que mulheres – em razão da sua socialização – se cobram uma performance de perfeição maior que as dos homens.

Em contrapartida, a CEO Latam da WeWork defende um olhar sistematizado para o erro. “Na minha história, quando fui ser fundadora do Banco Original, eu me dei conta da magnitude do erro. Se a API que está entregando seu saldo bancário estiver errada, é uma crise muito grande”, narrou. Nesse sentido, ela explica que é preciso ter um plano para detectar os erros e, a partir disso, saber como corrigi-los.

Trabalho e propósito

Esse autoconhecimento e a disposição a acertar e errar também passa pela gestão de pessoas. “Se o seu NPS como líder é 100, tem alguma coisa errada. Nós confundimos muito esse reconhecimento positivo como estou sendo um bom líder”, afirma a líder de WeWork. Ela defende que é preciso criar um ambiente em que as pessoas se sintam seguras para discordar e conflitar.

Nesse sentido, escuta ativa e intencionalidade seriam conceitos chave. “Não é uma mentalidade de convencimento, mas de comprometimento”, aponta a presidente da Intel Brasil. Ela cita o exemplo da volta aos escritórios depois da pandemia. Há seis meses, a Intel desenvolveu e está testando o conceito de híbrido com propósito em que, colaborativamente, os times criam quais rituais presenciais serão importantes para melhorar cultura, engajamento e negócio.

Na WeWork, Wood vem acompanhando de perto essa transição. Ela conta que a decisão do retorno não pode ser compulsória, mas que isso não elimina o desejo das pessoas de se conectarem. “As pessoas querem estar juntas. O que elas não querem é atravessar a cidade, passar duas horas no trânsito, para estarem no mesmo lugar”.

Fonte: Meio&Mensagem

Dos retratos ao feed sem filtro: a jornada da autoestima feminina

às 10:51


Há 20 anos, Dove apresentou a bandeira da real beleza, posicionamento que foi evoluindo de acordo com as novas tecnologias e concepções acerca da representatividade

Há 20 anos, a marca Dove já começava a expandir sua atuação para outros segmentos de beleza, com o lançamento de linha de desodorantes e de alguns produtos para cabelos.

Na época, o anunciante seguia uma estratégia de marketing global que consistia em depoimentos de consumidores e usuários, sobre os impactos que os produtos da Dove tinham em sua vida.

Da esq. para a dir. Andreza Graner, Fernando Musa, Silvia Lagnado e Regina Augusto (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

Quem relembra a história é Silvia Lagnado, que na época era diretora global de marca da Dove e notou que o posicionamento de comunicação precisava de uma guinada. Foi a partir dali que começou a nascer o alicerce que sustentaria a imagem da Dove como uma marca cuja bandeira principal é a celebração da autoestima feminina.

Perto de completar 20 anos, o posicionamento de valorização da Real Beleza da Dove foi tema de um painel no Women to Watch Summit. Regina Augusto, curadora de conteúdo da plataforma Women to Watch e diretora-executiva do Cenp, conversou com quem participou da criação do conceito, há duas décadas, quando falar sobre a quebra de estereótipos não era algo comum.

Por isso, além de Silvia, também esteve no palco Fernando Musa, atual CEO do Grupo Ogilvy. Na época, já na agência, ele participou do processo de criação do conceito da valorização da beleza mais real.

Do briefing à emoção

Silvia relembrou que o briefing que originou o posicionamento não era muito detalhado, mas que trazia a ideia de quebra de estereótipos e de inspiração. A profissional lembra que, na época, tinha a intenção de cumprir um objetivo profissional, sem imaginar que estava trabalhando em algo que ajudaria a mudar o estilo da comunicação de marcas de beleza.

“Não tinha a ambição de revolucionar nada, Era o briefing que me movia e a vontade de fazer algo bem feito. Quando o construímos, era óbvio que ele não teria a participação de mulheres que, geralmente, costumam aparecer nas campanhas de beleza. Foi preciso cativar as pessoas com o briefing e explicar que aquela não era uma ideia maluca”, conta.

Do lado criativo, Fernando Musa acredita que uma das razões para o sucesso do conceito e da premissa da valorização de uma beleza menos estereotipada foi a junção de pessoas, tanto da Unilever quando da Ogilvy, imbuídas do propósito de apresentar um ponto de vista diferente.

Na conversa, Musa relembrou dos bastidores do filme “Retratos da Real Beleza”, lançado em 2013 e que acabou furando bolhas e sendo reconhecido como símbolo da mensagem de Dove.

“Já fazia dez anos da criação do conceito da Real Beleza e estávamos conversando na agência, em São Paulo, e pensamos que precisávamos de algo que religasse o propósito de combate aos estereótipos criado pela marca”, relembra.

O CEO da Ogilvy conta que a campanha, que mostrava como a autoimagem das mulheres tende a ser mais negativa do que a aparência que, de fato, elas têm, foi elaborada sem a certeza de como seria sua repercussão. “Fizemos as filmagens sem saber se aquilo daria certo, em uma época em que a internet engatinhava em termos de viralização. Acabou que, após o lançamento, todo mundo acabou se sentindo abraçado e se identificou”, pontua.

A real beleza no mundo de hoje

Ao longo dos anos, o conceito do que significa beleza ganhou novos contornos. Debates sobre pressão estética e como os padrões impostos pela sociedade são opressivos e, muitas vezes, inalcançáveis, ganharam força e voz entre mulheres que lutam para desconstruir estereótipos enraizados há tempos na cultura e na sociedade.

Ainda assim, falar sobre beleza ainda é desconstriuir tabus e rever conceitos Segundo Andreza Graner, atual diretora de marketing da Unilever, abordar a beleza hoje passa, inevitavelmente, entender a relação das pessoas, principalmente das mulheres, com as redes sociais.

“Numa era em que o Brasil é o País que mais segue influenciadores em todo o mundo, é preciso trazer esse tema para a conversa e falarmos sobre a forma como as redes sociais podem ser toxicas para meninas e mulheres”, comentou a porta-voz.

Segundo Andreza, a Dove conseguiu manter a consistência no posicionamento sobre a importância da autoestima, atualizando de acordo com as novas pautas. Recentemente, a marca fez, no Brasil, um manifesto em que diversas influenciadoras e famosas – entre elas, a atriz Paolla Oliveira – se comprometeram a não usar mais edições e filtros em suas fotos e vídeos postados.

“Mais do que uma celebração dos 20 anos dessa campanha, nossa preocupação é pensar no futuro e pensar nesse posicionamento pelos próximos 20 anos. Isso passa por discutir com maior profundidade o uso de inteligência artificial, filtros e tecnologia nas redes sociais. Seguiremos por esse caminho”, adiantou.

Fonte: Meio&Mensagem

Diversidade e inclusão não são tendências, são urgências

4 de abril de 2024 às 14:42


Cris Guterres conduziu um debate entre Brisa Vicente, Luana Xavier e Rosane Borges sobre como o mercado corporativo deixou a discussão sobre D&I de lado

O estrangulamento até a morte de George Floyd, afro-americano de 46 anos, pelo policial branco Derek Chauvin, em 25 de maio de 2020, chocou o mundo inteiro. Na época, milhares de pessoas publicaram imagens de telas pretas em suas redes sociais em forma de protesto. Com isso, marcas nacionais e internacionais também se uniram ao movimento Black Lives Matter e se declararam antirracista.

Da esq. para a dir.: Brisa Vicente, Luana Xavier, Rosane Borges e Cris Guterres (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

Entretanto, com o passar dos anos, esse interesse pela diversidade e inclusão racial se arrefeceu dentro das organizações, principalmente nas cadeiras de comando do mundo corporativo.

De olho nisso, no painel “George Floyd 4 anos depois: caminhada interrompida?”, a jornalista e apresentadora Cris Guterres se propôs a conduzir um debate entre Brisa Vicente, co-CEO da Soko, Luana Xavier, atriz e influenciadora digital, e Rosane Borges, professora e pesquisadora, justamente sobre como o mercado corporativo deixou a discussão sobre D&I em segundo plano.

Cris começou a conversa lembrando que é importante lembrar de George Floyd, assim como é igualmente importante lembrar de nomes brasileiros que também sofreram as consequências do racismo estrutural no País, como Amarildo de Souza, que foi torturado e morto pela polícia do Rio de Janeiro, além de Bento Freitas e Evaldo Rosa.

“Estamos marcando com George Floyd a nossa conversa, mas é importante iniciar dizendo que no Brasil, nós elegemos as vidas que importam mais. Os 80 tiros de Evaldo Rosa perfuraram milhares de corações”, frisou a jornalista.

Para Rosane, caso de George Floyd chocou o mundo inteiro, justamente, porque as pessoas o ouviram. “Ouvimos quando a escuta se torna uma decisão política”, ressaltou. “Ouvir alguém dizer por volta de oito minutos que não conseguia respirar, não há consciência antirracista, boa consciência que duma tranquila nos seus lençóis egípcios”, frisou.

Apesar disso, Rosane criticou a falta de visibilidade que casos brasileiros, de mesma ou até mais crueldade, tiveram. Neste sentido, ela enfatizou a conhecida chacina de Costa Barros, na qual cinco jovens foram assassinados com 111 tiros desferidos pela polícia em direção ao carro em que estavam. “Não há fenômeno que se compare aos 111 tiros de Costa Barros”.

A pesquisadora questionou porque a mídia, o governo, a indústria e a sociedade brasileira não se mobilizaram com esse caso como aconteceu com o assassinato de George Floyd. Rosane chegou a conclusão que essa mobilização não aconteceu porque os corpos desses brasileiros não importam.

O esfriamento da pauta

O ano em que George Floyd foi assassinado, foi o período em que Luana mais recebeu propostas de trabalho. Porém, com o passar do tempo, a atriz e influenciadora percebeu que essas propostas começaram a diminuir. Ela, então, se questionou até que ponto o mercado está evoluindo nesta questão. “Paramos na primeira página”.

Cris Guterre questionou a líder da Soko, Brisa Vicente, sobre como ela analisa o cenário atual de diversidade e inclusão no mundo corporativo desde o episódio de George. A executiva enfatizou que o mercado encarou aquele fatídico momento como uma tendência. “Isso não é um tema que se resolva de imediato, porque é uma questão estrutural e nosso mercado não está acostumado a pensar em tão longo prazo”, criticou.

Na visão de Brisa, essa mudança estrutural demanda um nível de compromisso, de investimento financeiro, de tempo, de consistência, que ficou muito difícil de ser implementado em uma indústria que trabalha com tantas coisas urgentes. “Foi tema que gerou muito movimento, que nos deu muita esperança, mas hoje vejo essa conversa esfriando. Vimos como tendência, algo que, na verdade, era uma urgência”, reforçou.

Para dar uma dimensão do atual momento do mercado em relação à diversidade e inclusão, Luana fez um questionamento à plateia do próprio evento Women to Watch Summit, constatando que, entre os presentes, poucos se identificavam como negros. Apesar dessa observação, Luana elogiou a organização do evento. “Aqui não é o fim, mas é o reflexo do que está acontecendo na nossa sociedade, é uma ponta do iceberg. Que bom que estamos discutindo esse assunto. Ter esse painel com esse também é um grande avanço”, complementou.

Voltando ao mercado publicitário, Brisa constatou que a indústria ainda não se ligou da importância de ter conexão com as pessoas. A executiva revelou que 7 em cada 10 pessoas não se identificam com a propaganda. “Isso porque a propaganda é feita por um tipo só de pessoa”, enfatizou.

Ao longo de sua experiência na Soko – agência que nasceu com a missão de combater as práticas tóxicas desse mercado – Brisa aprendeu que, nesse processo, é preciso ir além da inclusão; é preciso pensar na retenção e em políticas internas para que as pessoas, uma vez dentro, se sintam acolhidas.

Cris ainda pediu para a co-CEO da Soko dar um conselho para as lideranças para transformar o mercado corporativo. Brisa pontou algumas coisas, como ter intencionalidade na contratação e ter parceiros focados em proporcionar letramento para os colaboradores. “Hoje, não há justificativa para não trazer diversidade em todos os projetos”.

Fonte: Meio&Mensagem

Mônica Sousa: a executiva que inspirou a personagem

às 14:15


Na Mauricio de Sousa Produções, Mônica traçou sua jornada na área comercial e impulsionou a companhia a corrigir rotas para espelhar a sociedade

“Eu imagino que todas vocês cresceram com a Mônica. Mas, apesar de todo mundo conhecer a Mônica, pouca gente conhece a Mônica”, introduziu Adriana Ferreira Silva, jornalista e fundadora da Grená – Agência de Criação. A Mônica em questão é Mônica Sousa, diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções e a responsável por inspirar a personagem mais famosa da franquia de seu pai, a Turma da Mônica.

Mônica de Sousa no Women To Watch Summit 2024 (Crédito: Eduardo Lopes/ Imagem Paulista)

No Women To Watch Summit 2024, a executiva contou que sua casa foi espaço para que Mauricio desse início ao seu trabalho criativo e que a diversidade sempre foi uma marca das equipes do autor. “Meu pai estava começando a empresa dele, na sala da nossa casa, e precisava de artistas”, descreve Mônica. “Ele sempre ensinou que a porta dele estaria aberta para todos os funcionários, independente de quem fosse”.

A primeira tirinha de Maurício foi publicada na imprensa em 1959. No entanto, a Mônica só nasceu em 1963. O artista chegou a ser criticado pela ausência de mulheres em suas obras. A inspiração para a mudança foi a observação do comportamento das filhas: Mariângela, Magali e Mônica. “Ele começou a escrever porque as crianças são transparentes”, apontou Mônica. No total, Mauricio é pai de dez filhos.

Dentro da companhia, a jornada de Mônica começou como vendedora na lojinha da personagem. Depois, ela seguiu para área comercial onde narra ter sofrido resistência por ser um setor majoritariamente masculino e ter recebido o estigma de “filha do dono”. “Foi difícil no começo. Eu fui bastante pisoteada”, reconhece. A executiva se fortaleceu com a conquista de contratos importantes, especialmente na área de alimentos. Mônica foi diretora comercial e, posteriormente, promovida a diretora-executiva.

Mas, além do processo pessoal, ela acompanhou um reposicionamento da marca Turma da Mônica para se aproximar da sociedade e suas pautas. “A vida inteira a Mauricio de Sousa e a Turma da Mônica trouxeram coisas que aconteceram no mundo. Mônica e Magali sempre foram meninas que gostam delas mesmas. O Chico Bento sempre defendeu a natureza”, afirmou.

Mas, há oito anos, em uma reunião na ONU Mulheres, Mônica recebeu críticas sobre a falta de representatividade racial nos quadrinhos. A partir daí, a companhia trouxe uma série de consultores e especialistas para corrigir a rota e promover uma transformação interna com os roteiristas.

Desse esforço, nasceram mudanças como o desenvolvimento da personagem Milena e sua família, o projeto Donas da Rua e uma mudança no visual das mães dos personagens, que deixaram de usar aventais. A diretora-executiva conta que o processo também envolveu os parceiros licenciadores e fornecedores. “Antes, nós insistíamos para ter a Milena nas embalagens. Hoje, eles já pedem por ela”, afirma.

Para o futuro da marca, Mônica garante que a companhia pretende continuar investindo no desenvolvimento de conteúdo e de mais personagens. Além dos lançamentos no cinema e streaming, uma das apostas da empresa é o projeto Vamos Brincar com a Turma da Mônica que estimula o hábito da brincadeira e da socialização para crianças durante a primeira infância.

Fonte: Meio&Mensagem

W2W Summit 2024: ESG e a importância de não deixar ninguém para trás

às 14:04


Sincronia dos objetivos de negócios com a agenda ambiental, social e de governança corporativa foi o tema da abertura da edição 2024 do Summit Women to Watch

Da esq. para a dir.: Denise Rios, Grazi Mendes, Raquel Ogando e a moderadora, Michelle Borborema, do W2W (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

Os temas de preservação ao meio ambiente, projetos sociais e governança corporativa não são mais um pilar à parte na agenda corporativa e nem dos eventos do setor. Prova disso é que, logo na abertura da terceira edição do Women to Watch Summit, que acontece nesta terça-feira, 26, em São Paulo, ficou bem claro que o ESG estaria presente no palco ao longo de todo dia.

Logo no início, o evento abriu espaço para três mulheres líderes contarem como estão presenciando o avanço da agenda ESG nos negócios e, sobretudo, como fica cada vez mais difícil desassociar a inovação e o crescimento corporativo dos pilares de preservação ambiental e promoção social.

“O termo ESG foi cunhado como forma de traduzir a sustentabilidade ambiental e social para os diferentes setores da empresa, incorporando esses valores no ambiente dos negócios”, definiu Denise Rios, conselheira consultiva e especialista em sustentabilidade, quando a moderadora do painel, Michelle Borborema, editora de conteúdo e estratégia do Women to Watch, pediu uma definição de ESG, além de uma avaliação sobre o avanço do tema na realidade das empresas.

Sobre essa segunda questão, Denise preferiu separar o E, o S e o G para avaliar os respectivos avanços. Segundo ela, na questão ambiental, o Brasil conta com uma competitividade e capacidade de geração de negócios e soluções como em nenhum outro mercado.

“Avançamos muito na transição energética e ambiental, mas ainda precisamos de mais No âmbito do ‘S’, não há nenhuma dúvida em relação à capacidade de geração de valor. No mundo, apenas no ano passado, conseguimos multiplicar por 30 a geração de valor, mas quando falamos em distribuição, ainda fica muita gente à margem. E ninguém pode ser deixado para trás em um mundo que queremos construir”, resumiu.

Inovar, sinônimo de regenerar

Grazi Mendes, head de diversidade, equidade e inclusão da ThoughtWorks, pontuou que não é possível mais pensar em inovação e crescimento, no ambiente corporativo sem quebrar padrões e modificar questões de inclusão e diversidade na sociedade
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“É preciso ser realista e perceber que ainda há muito green washing e ações que são transformadas em campanhas, mas que não são capazes de mudar a lógica dos negócios. Além disso, vemos um retrocesso em vários avanços que viemos construindo com muito custo”, pontuou.

Grazi destacou a importância de ter cuidado ao associar a aplicação de princípios ESG ao alcance de lucratividade a curto prazo. Segundo ela, não há, ainda, estudos concretos que confirmem essa relação direta, pois ela é complexa e depende de diversas variáveis.

“O que podemos ter certeza é que cabe a nós deixar um mundo melhor, inclusive para quem vem depois. A cobrança por lucratividade nas empresas não pode se sobrepor a isso. Se a lucratividade tiver o custo da nossa humanidade ou o custo do nosso planeta, não vale a pena. Não existe inovação sem a transição para um mundo melhor”, definiu.

Nesse novo modelo de pensamento e de forma de fazer negócios, a reputação passa a ser diretamente atrelada às ações da empresa e a imagem que ela é capaz de construir perante suas comunidades, de acordo com Raquel Ogando, diretora de reputação e sustentabilidade da BRF.

Para isso, ela defende o alinhamento da agenda social com a agenda material das companhias, uma vez que o ESG terá, cada vez mais, importância direta no balanço das companhias.

“Quando pensamos em empresas que irão perdurar pensamos em organizações que serão capazes de trabalhar para solucionar problemas complexos. Entender a demanda dos consumidores e trazer soluções que aportem valor para quem está na ponta. E sabemos que não é possível resolver problemas complexos sem contar com olhares diversos”, destacou Raquel.

Fonte: Meio&Mensagem

Publicis Groupe traz operação de mídia focada em dados para o Brasil

3 de abril de 2024 às 12:40


Nova marca da gigante francesa da comunicação chega ao País para auxiliar o crescimento financeiro do grupo

Com o avanço da preocupação de agências e anunciantes pelo uso eficiente de dados na propaganda, o Publicis Groupe lança no Brasil a sua operação focada em análise de dados, estratégia, tecnologia e criatividade: o Publicis Groupe Media (PGM). A nova marca da gigante francesa da comunicação chega ao País para auxiliar o crescimento financeiro de marcas como Publicis, DPZ, Le Pub, Leo Burnett Tailor Made e Talent Marcel, entre outras, depois de ser introduzida em outros mercados pelos quais a companhia tem operações.

Para liderar as operações da nova marca no mercado brasileiro, o grupo escalou a publicitária colombiana Ximena Villamil. A executiva, que tem 20 anos de carreira, guiará o negócio no País depois de dez anos dentro das operações do Publicis Groupe na Colômbia. ”Para mim há mais potencial no mercado brasileiro do que nos demais países da América Latina. Hoje o Brasil é o mais relevante em termos de negócios”, afirma Ximena.

Para chefiar a nova operação, a CEO para América Latina Gabriela Onofre escolheu a publicitária colombiana Ximena Villamil Foto: WERTHER SANTANA / ESTADAO

A executiva se reportará a Gabriela Onofre, recém-empossada como presidente do grupo no Brasil. “O Grupo Publicis é muito forte globalmente, principalmente em dados e mídia. Queremos trazer esse ‘superpoder’ que já temos para o Brasil”, diz Gabriela, em entrevista ao Estadão.

Fonte: Estadão


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