Executivas negras revelam o que foi determinante em suas carreiras para ocuparem cargos de liderança
Lideranças ouvidas pelo ‘Estadão’ refletem sobre suas trajetórias em posições nas quais ainda são minoria no mercado brasileiro; Dia da Mulher Negra é lembrado neste sábado, 25
Incentivo familiar, superação pessoal, formação de redes. Esses e outros fatores foram determinantes na trajetória de executivas negras ouvidas pelo Estadão para alcançar posições de liderança em um mercado no qual a presença de mulheres negras nesses cargos ainda é reduzida. Dez dessas profissionais, atuantes em diversos setores econômicos e sociais no Brasil, falaram sobre o tema em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste sábado, 25.
Um levantamento da organização Movimento pela Equidade Racial (Mover), de 2025, com suas mais de 50 grandes empresas associadas, demonstra a existência de barreiras para a aceleração da carreira dessas mulheres no Brasil.
Profissionais negras representam 25% das posições de entrada, mas somente 3% de mulheres nesse perfil ocupam cadeiras executivas e de diretoria. Já as mulheres não negras são 24% nas funções iniciais, mas alcançam 16% da liderança executiva. O porcentual é mais que o quíntuplo da presença das negras nos mesmos cargos.

“As mulheres negras ainda são poucas em cargos de liderança porque, apesar de estarem presentes de forma relevante nas posições de entrada, suas trajetórias profissionais continuam sendo atravessadas por barreiras estruturais que dificultam o acesso a oportunidades, à visibilidade e aos espaços de decisão”, avalia a CEO do Mover, Natália Paiva.
Segundo Paiva, enfrentar esse cenário exige atuar em duas frentes de forma conjunta. “É preciso acelerar carreiras por meio de programas de alto impacto e, ao mesmo tempo, preparar as organizações para identificar, reconhecer e apostar no talento dessas profissionais, criando as condições para que possam desenvolver e colocar em prática todo o seu potencial.”