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Checadores de notícias se preparam para ano agitado
São Paulo, 12 de Janeiro de 2018 ás 11h43

Agências especializadas apostam no crescimento da prática em período eleitoral; Facebook lança programa de apoio a quem “combate desinformação”

 
O ano eleitoral no Brasil e o clima de divisão que vive o País trarão elementos adicionais ao desafio de combater às notícias falsas. O tema, que ganhou maior visibilidade durante as eleições americanas, em 2016, que culminou na vitória de Donald Trump, passou a ser, inclusive, um assunto de preocupação por parte dos órgãos responsáveis pelo processo eleitoral no Brasil. No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em um de seus principais eventos anuais, apresentou várias discussões sobre o assunto.
 
Estudo da Kantar, publicado em outubro com 8 mil pessoas do Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos, mostra que nos quatro países estudados, 46% dos consumidores de notícias acreditam que as fake news tiveram impacto nos resultados de suas últimas eleições. No Brasil, 69% acreditam que este tipo de notícia tem impacto político, e, nos EUA, 47% acham que houve uma influência. Por outro lado, 44% deles acreditam que as audiências têm a responsabilidade de combater as fake news.
 
Tai Nalon, diretora executiva e cofundadora da Aos Fatos, acredita que as perspectivas de proliferação de fake news durante as eleições não são boas. “No entanto, da mesma maneira que são esperadas informações falsas, distorcidas e fabricadas, também apostamos que as pessoas estão começando a ficar cientes de que não devem acreditar em absolutamente tudo que leem nas redes”, diz Tai. Ela não acredita que o volume de informações falsas motivará a criação de novas empresas especializadas em checagem. “Será comum que, durante períodos eleitorais, esforços sazonais de checagem de informações sejam criados. Isso deve acontecer bastante, sobretudo em nível local”, afirma.
 
Com presença física no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Aos Fatos é composta por uma rede de freelancers que compartilha informações em prol da checagem. O modelo de negócios da plataforma é baseado no tripé: campanha de arrecadação, venda de conteúdo para veículos e consultoria. Outra agência que se especializou em checagem de notícias é a Lupa, da revista Piaui. Ela se nomeia a primeira especializada em Fact-Checking. Em 2 de abril do ano passado, por exemplo, criou o Dia Internacional do Fact-Checking.
 
Além da checagem direta, o aumento de ferramentas especializadas em identificar fake news deve ser uma realidade. “Já é possível mapear de forma mais automatizada as fake news, a questão é com quais recursos? Para alguns casos, a inteligência artificial já permite aplicações eficientes”, diz Rodrigo Helcer, CEO da plataforma de monitoramento Stilingue. De acordo com Ana Moises, nova presidente do IAB Brasil, o tema está como um dos principais da pauta da entidade para 2018. “É um assunto que está no radar do IAB e de seus associados e é de extrema importância que o mercado discuta e encontre formas de combater a desinformação”, diz Ana.
 
Na semana passada, o Facebook, plataforma que vem sendo cobrada para apresentar mecanismos de combate às fake news, anunciou um novo projeto para combater a desinformação no Brasil. Uma das primeiras iniciativas é o Vaza, Falsiane!, curso online contra notícias falsas voltado ao público em geral. A segunda iniciativa é o desenvolvimento de um bot no messenger que orientará as pessoas sobre como trafegar no universo de informações na internet, para que elas próprias possam checar informações. O nome do bot é Fátima – que remete a “FactMa”, abreviação de “FactMachine”.
 
Os dois projetos são resultado de uma mesa redonda que o Facebook promoveu no início de setembro em São Paulo. Na ocasião, acadêmicos, especialistas e representantes de agências de checagem de fatos e de associações de jornalismo se reuniram para discutir as raízes do problema da desinformação no Brasil, e os aspectos a serem considerados na busca de possíveis soluções.
 
“Estamos confiantes de que esses dois projetos ajudarão as pessoas no Brasil a tomar decisões mais conscientes sobre o conteúdo que consomem na internet e fora dela”, afirma a líder de parcerias com veículos de mídia do Facebook para América Latina, Cláudia Gurfinkel. Ela lembra do esforço da empresa em ampliar o diálogo com academia, agências de checagem, ONGs, empresas de tecnologia e de mídia sobre o que pode ser feito para combater as notícias falsas.



Meio&Mensagem (12/01/2018)



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