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Gestão inspiradora para agências
São Paulo, 02 de Julho de 2013 ás 17h16

Há dois anos, quando viajou o Brasil para lançar seu primeiro livro, "Pequenas Agências, Grandes Resultados" (Clio Editora, 176 págs.), Antônio Lino Pinto, sócio da Talent, uma das maiores agências do país, encontrou muitos profissionais do ramo que queriam abrir um negócio mas não encontravam material de referência sobre gestão. Com mais de 40 anos no mercado publicitário - 32 somente na Talent - o especialista em contabilidade e finanças resolveu escrever uma nova obra, com informações sobre gerenciamento de pessoas, governança corporativa e relacionamento com os sócios.

"Há muito nos grandes grupos que pode ser copiado e aproveitado nos pequenos empreendimentos", diz o autor, que acredita haver espaço de sobra, no setor, para as organizações de menor porte. No ano passado, o mercado publicitário brasileiro movimentou R$ 44,9 bilhões, um crescimento de 6% ante 2011. Na entrevista a seguir, Lino fala como as companhias podem trabalhar com equilíbrio financeiro, reter talentos e encontrar um modelo próprio de gestão.

Valor: Ainda há mercado para pequenas e médias agências de publicidade? Em que nichos elas podem investir para obter melhores resultados?

Antônio Lino Pinto: Há mercado. O setor vem crescendo bem acima do PIB brasileiro e o anunciante sabe que a agência é um parceiro fundamental para o sucesso do seu negócio. As empresas terão de ser full-service, que é a grande demanda dos clientes.

Valor: O senhor trabalhou mais de 30 anos na Talent. Na área de gestão, o que as pequenas e médias agências devem copiar dos grandes concorrentes e o que elas deveriam evitar?

Lino: Há muita coisa boa nas grandes agências que podem e devem ser aproveitadas pelas pequenas. A estrutura e a forma de operação das empresas maiores talvez precisem ser repensadas, e não necessariamente copiadas. Com a pressão por redução da remuneração, temos de encontrar uma maneira inovadora de prestar o mesmo trabalho com qualidade, velocidade e menor preço. Isso exige um pensamento novo. A base desse conceito, criada por Frederick Taylor, em 1890, inclui velocidade na entrega, eliminação de fases intermediárias no processo produtivo, que não agregam valor ao produto final, além de remuneração por mérito e redução constante dos custos de operação.

Valor: Fazer caixa em uma agência pode demorar mais de três meses, desde o primeiro briefing do cliente até a veiculação do anúncio. Como conseguir equilíbrio financeiro nesse cenário?

Lino: Com planejamento. A agência precisa iniciar suas atividades com capital de giro próprio para não ficar pendurada em empréstimos bancários e juros altos. A retenção de parte do lucro é fundamental para eliminar o gap entre a produção e o recebimento da fatura. E, também, vai precisar de um olhar mais crítico para transformar esse tempo tão longo em procedimentos mais modernos e velozes, o que será bom para o anunciante e para a agência.

Valor: Nas agências, o capital humano criativo é bem mais difícil de encontrar e manter do que em outros setores. O que pode ser feito para reter talentos?

Lino: Na Talent, temos tido muito sucesso, nesses 32 anos, com uma postura de respeito aos funcionários, propiciando um ambiente de trabalho confortável e boa remuneração. Há bônus para todos os colaboradores no final do ano e investimento no aprimoramento das equipes. Isso faz com que o turnover entre as equipes de média gerência para cima se mantenha muito baixo. Há pessoas trabalhando conosco há 25 anos.

Valor: No livro, o senhor fala que não há uma fórmula pronta para gerenciar pessoas. O que as empresas devem fazer para encontrar um modelo próprio de gestão?

Lino: Tudo depende dos objetivos dos donos, que precisam estabelecer um consenso sobre o que desejam. Depois disso, o trabalho é facilitado, pois haverá o empenho dos sócios para a realização de metas. Normalmente, não é uma tarefa simples. Exige disponibilidade de tempo e investimento financeiro. Nenhum projeto dará certo se não houver um envolvimento efetivo dos acionistas, que têm de agir como difusores de um projeto, mantendo coerência nas atitudes tomadas. Por outro lado, os jovens querem um ambiente participativo, crescimento rápido, empresas éticas e transparentes, além de autonomia, metas definidas e bons salários. As empresas devem estar atentas a esses desejos para criar planos de retenção.

 



Valor Econômico (31/5/2013)



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